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domingo, 20 de março de 2011

AUTOPIEDADE


Quando nos fechamos em nossas amarguras, sem deixar ao menos
uma fresta para clarear nossas sombras internas, por falta da luz da
compreensão, nesse estado, somos péssimas companhias, pois ninguém
deseja conviver com quem destila o veneno da amargura.

Quase sempre, quando se tenta fraternalmente introduzir uma
luz no entendimento de quem se lamenta, com a intenção de iluminar-lhe
um pouco a compreensão sobre a realidade da vida, irrita-se, pondo-se
logo em guarda. Seu ego se defende e não admite que se desfaça a
imagem negra que gerou, alimentando assim a sua depressão.

É sombria a vida de uma criatura apegada aos seus fantasmas.
Vive da condenação a tudo e a todos, mantendo vivo o sentimento de
amargura de quadros dolorosos, que se ampliam estimulados por sua
mentalidade estreita e imatura. Não consegue estabelecer uma
comparação entre o dom de viver e as inúmeras dádivas com que Deus a
agraciou. Para ela, a vida é uma sentença, jamais uma oportunidade de
aprender e conhecer Deus, que é expressiva doação em cada ritmo do
coração humano. Oscila entre a piedade que sente por si mesma e a
superestimação de suas qualidades; não vacilando, quase sempre, em
subestimar os que passam por sua vida, aos quais, frequentemente,
chega a atribuir a causa do seu sofrimento.

“O pior cego é o que não quer ver”, diz um adágio, e não há
nada mais certo.

A escuridão em que vive uma alma revoltada é uma espécie de
cegueira aflitiva.

A vida é o mestre que nos guia através de diversas situações,
com o objetivo de nos desenvolver a compreensão, a força, a confiança
e a fé para nos compreendermos como seres que todos somos no plano de
Deus, rumo à meta — realizar Deus.

Se olharmos as coisas com as limitações de nossa
personalidade, do ângulo em que estamos situados, veremos apenas uma
parte de um todo, como, por exemplo, diante de uma paisagem, só temos
a possibilidade de vê-la do ponto em que nos colocamos, escapando de
nossa visão os demais aspectos.

Permaneçamos atentos para entender a mensagem da vida.

Deus é o Todo. Cada um de nós O sente sob um de Seus múltiplos
aspectos. Cada um de nós, antes de senti-Lo no íntimo, tem sua
concepção individual, isso, porém, não nos dá autoridade para condenar
os que têm outra concepção de Deus, e O adoram e servem de maneira
diferente.

Quando, com maior capacidade de entrega, nos deixarmos
trabalhar pelos Senhores do Carma, compreenderemos que o que julgamos
sofrimento é apenas uma oportunidade de ver a vida por outro ângulo, e
de divisar na paisagem detalhes insuspeitados; tudo para nosso
enriquecimento espiritual.

Lastimar-se da vida, e viver em função de recordações e
amargura, é autopiedade — uma forma de fuga ao presente, onde estão
todas as nossas possibilidades.

Que o ontem nos tenha servido de base e legado a lição para
que o dia de hoje nos encontre serenos e confiantes.

Do livro “Conversa com a vida”, de Cenyra Pinto

1 Comentários:

Fátima Barros disse... [Responder]

Gostei deste texto,é isto mesmo que acontece...A responsabilidade pela vida que temos é exclusivamente nossa, e em vez de se lamentar pela vida que levamos, devemos acreditar que é sempre possível tomar a iniciativa de mudá-la.

“Não chore pelos resultados das suas escolhas. Sorria pela oportunidade que a vida lhe oferece, todos os dias, de reescrever a sua história”.

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